Com todos os holofotes voltados para o pré-olímpico masculino, acabei deixando o selecionado feminino um pouco de lado.
Na última sexta-feira, o time comandado por Ênio Vecchi venceu as cubanas por 82 a 78 em jogo disputado no ginásio Centro Cívico, em Americana. O jogo foi bem equilibrado, com as duas seleções revezando a vantagem no marcador, mas a pivô Clarissa deu um jeito de superar as cubanas; com 24 pontos, a jogadora que atua em Americana foi a cestinha da partida.
Hoje as seleções voltaram a se enfrentar, e com um duelo mais tranquilo para as brasileiras, fechamos a partida em fáceis 73 a 59.
A defesa funcionou bem e levou apenas 26 pontos nos dois primeiros períodos. Agora a seleção continua a sua fase de preparação para o pré-olímpico das Américas, que vai ser disputado em Neiva, na Colômbia, entre os dias 24 de setembro e 1° de outubro e participa da Copa Pitalito, já em território colombiano, entre os dias 18 e 21 de setembro. O torneio vai contar com Cuba, Porto Rico, Argentina, Colômbia e Chile, além do Brasil é claro e vai servir como um último preparativo antes de irmos buscar a vaga olímpica.
Logo após a conquista da vaga olímpica para Londres, os torcedores começaram a se manifestar nas redes sociais com frases que deixaram bem claro que o pivô Nenê Hilário e o ala-armador Leandrinho Barbosa não deveriam mais ser convocados.
Realmente é um caso muito complicado de se resolver, mas não podemos deixar de dizer que nas olimpíadas o nível é diferente, não se pode comparar com um simples torneio continental, que esteve "desfalcado" da sua principal seleção; a dos Estados Unidos. Imaginem se os americanos não fossem campeão mundiais no ano passado. Seria uma missão quase impossível para nós disputar a vaga contra eles e os argentinos.
Antes de entrar de cabeça nesse assunto, temos que saber se há interesse do Nenê e do Leandrinho em defender o Brasil em Londres. Pode parecer loucura o que eu acabei de dizer, afinal, todo jogador quer disputar uma olimpíada, mas se formos pensar nos sonhos de todos os jogadores da base, aspirantes à profissionais, o sonho deles é defender a sua seleção. Ou seja, se eles (Nenê e Leandrinho) não tiveram esse sonho, como poderiam sonhar em jogar uma olimpíada?
Cá entre nós, o Leandrinho nem é assim tão indispensável para o Brasil. Quando esteve no mundial do ano passado, o jogador pouco fez na competição e em momentos aonde a seleção estava em mal na partida, ele queria resolver tudo do seu jeito, o que não deu certo. Esse tipo de jogo não se encaixa na atual filosofia dos atletas que lá estão agora, que visam sempre a defesa como prioridade (coisa que o Leandrinho não faz direito) e no ataque jogam sempre na coletividade. Já o Nenê é um caso diferente. Ele é um jogador que eu costumo chamá-lo de "americanizado", pois ele é forte, joga duro no garrafão e não respeita (no bom sentido) o adversário. Se tem um cara na frente dele, que se dane, ele vai pra dentro, enterra e se duvidar ainda sobre a falta. Esse tipo de jogador que o Brasil necessita para jogar contra os grandes.
Carlos Nunes, presidente da Confederação Brasileira de Basquete, declarou que se dependesse dele, só levaria o Varejão.
"É meio complicado dizer isso, mas acho que só o Varejão tem lugar, né. É claro que essa decisão é do Rubén Magnano, e é uma decisão difícil. Mas acredito muito nessa juventude. Temos o Rafael Hettsheimeir, o Luz, estamos num caminho muito certo. Nós renovamos o time e ao mesmo tempo conseguimos uma classificação inédita".
Acho que essa decisão não cabe apenas a uma pessoa, seja ela o manda chuva do basquete brasileiro ou até mesmo o técnico. Acredito que o Rubén Magnano deve primeiro se reunir com todos os seus jogadores e com a sua comissão técnica para debater o assunto abertamente. Caso todos estejam de acordo, convoquem os caras, mas se eles não forem mais bem vindos, que fiquem de fora, para o bem da equipe e do basquete nacional.
O objetivo já foi alcançado por ambas as equipes, mas hoje elas voltam a se enfrentar no último jogo desse pré-olímpico. Essa final não tem muito nexo, já que o título fica sempre em segundo plano. Imaginem uma final entre Brasil e Porto Rico ou República Dominicana, seria totalmente sem graça, até mesmo a final de hoje poderia ser bem "mortinha" se não fosse por uma simples motivo; os argentinos devolverem a derrota sofrida diante da sua torcida.
Alguém tem dúvidas que os "hermanos" vão vir com tudo para cima do nosso selecionado, querendo vingar aquela dura derrota do dia 7 de setembro?
Para a seleção brasileira vai ser um jogo de festa e sinceramente, nem podemos ser tão rigorosos assim e cobrar uma vitória hoje, mas que seria interessante ver a nosso time entrando com vontade de vencer seria, afinal a Argentina é um ótimo teste para as olimpíadas de Londres.
Sobre a partida, Marcelinho Huertas comentou:
“Mesmo com a comemoração, vamos entrar para ganhar. Sabemos que não vale muita coisa, mas ganhar é sempre bom. Ainda mais se pudermos ganhar deles aqui dentro de novo, seria o máximo para fechar com chave de ouro."
A partida vai ser disputada às 21:15 (Horário de Brasília)